quinta-feira, 20 de março de 2014

Guerra particular

"Não sou livre enquanto outra mulher for prisioneira..."

Jornais carniceiros noticiam uma guerra particular
[coisificando os “contrastes”]
Preto é sinônimo de “bandido”
Empresário branco, patrocinador de milícia – visto com bondade.

Vivemos em guerra
Morre todos os dias gente que mora na favela
– Favela?! Não, não é detalhe!
São mulheres, homens, filhas e filhos da classe trabalhadora.
Escravas e escravos da mais-valia
que torna 9% milionária e mais um bilionária.

Não fruto do acaso
povo pobre, favelado e NEGRO,
engrossam as fileiras da miséria
[presídios, necrotérios, hospitais psiquiátricos].
Amarildos “desaparecem”
Claúdias são brutalmente baleadas e arrastadas
[como bichos não merecem].

O Estado é nosso maior assassino
administrações capengas dão cria a desigualdades,
e ainda soqueiam a “marginalidade”.
Os gritos de justiças são permanentes,
em meio a irmandade companheira 
[no compartilhamento do pão e do feijão]
e nos laços de solidariedade
[com a dor, das e dos que se vão].
Favela resiste!

O povo anuncia genocídio!
O navio mudou de nome – é camburão de polícia
e morre mais gente em suas mãos do que algumas guerras [anunciadas].
É barbárie!
Não há eufemismos!

Correntes nos violentam em algemas [visíveis e ocultas]
Saúde, educação, terra, moradia... a vida – capitalizadas!
Mais a moral politicamente correta clama:
– Não roubarás!
[já és roubado todos os dias!]
– Não matarás!
[já nem vives!]
– Sucumbirás a todas as leis!
[elas legitimarão tua condição que o esforço garantirá tudo]
...            ...            ...           ...            ...
Clamores (des)necessários, “não sustém o trabalho não pago”.

É guerra tá-ci-ta
pra pobre, favelado, negro, índio, mulher, sem terra...
Barbárie vorazmente NATURALIZADA.
O povo é excretado e ocultado da história [dominante].
Na luta de classes
há uma linha tênue entre a morte e vida
que forja a dor das de dos que arrastados são
e dos que com dor, mas com amor ficam de pé.
Assim, a palavra de ordem é clara:
- NÃO NOS SUBMERTEREMOS AO SILÊNCIO!

*Em memória a brutal morte de Claúdia Silva Ferreira, mulher, mãe, filha da classe trabalhadora, pobre, favelada, NEGRA... gente!

(Jailma, Março de 2014)

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