quarta-feira, 28 de maio de 2014

me diz
fala-me qualquer coisa
para que desista
de tentar esquecer-te
fala-me
da luta
da vida
da poesia
das farras
de ti...
mas não permita-me
que siga adiante!
assim,
preciso te esquecer.

(Jailma, Maio de 2014)

segunda-feira, 26 de maio de 2014

"... onde não puderes amar, não te demores."

sintomático,
co-ra-ção
latente
incremente
indecente
insolente
inconsolável
em não amar
o existente,
seu demente!
lateja,
indolente
negligente
amas o ausente
[inexistente]
e soca-se em vazio
clemente,
reage
defende-se!

há frio demais aqui dentro...


(Jailma, Maio de 2014.)

(Pintura de Frida Kaklo)

domingo, 25 de maio de 2014

Frio da história

a história há frio...
que congelam corações
naturalizam a dor e a opressão
sem aparente razão.

a história faz um frio...
que construíram a propriedade privada
inventaram um tal de capital
e a mais-valia passa alimentar
o refrigerador imperial.

a história faz frio...
de nos colocar camisas neoliberais
das mais diferentes “marcas”,
[na classe trabalhadora]
“modelos”,
[de implantação de expropriação]
“estilos”,
[de invasão]
e a luta em descenso.

a história faz tanto frio...
congelando a função social da terra,
encastelando tetos,
mantendo o Estado no polo norte,
[as injustiças no polo sul]
e a burguesia entorpecida de sorvete
em suas estruturas.

a história faz sempre tanto frio...
que carecem de dados
sobre as e os que sempre tremeram!
mantendo acesa a utopia
em velas de luto,
no calor do companheirismo,
em poesia que aquece os ouvidos,
na mística dos corações,
nas chamas forjadas na luta
e no sonho da fogueira
da revolução.

(Jailma, 25 de Janeiro de 2014)

* Em dias de reflexão sobre a luta do povo. 

domingo, 11 de maio de 2014

Mãe

Mãe,
não quero-te minha, 
nem de pai,
nem de ninguém!
Desejo-te,
ser em si,
empoderada,
li-vre!
Em marcha sigo
por ti,
pelo que viveste,
pelo que não viveste,
pelo que abdicaste,
pelo que sofreste...
Luto mãe,

não minha,
SUA!

(Jailma, 11/05/2014)

*Em dias que reafirmar a luta é tão necessário, quanto amar!