domingo, 4 de janeiro de 2015

Pra ser um conto das mulheres

É fim de tarde, primeiros dias da recontagem do tempo. Tempo, tempo, tempo! Palavra imbricada na vida, que, por vezes, é a única razão. Em muitos lugares desse Brasil há fora, há pessoas que não estão bem, e de forma singular, mulheres que não vivem bem, ou nem vivem. 

Alternam-se entre as (in)constâncias, (in)seguranças, (in)definições e tantos outros sentimentos e sensações, permeadas entre fixa debilidade da terra e carência do mar.

Mães, filhas, avós... amigas, companheiras, deserdadas da terra, filhas das putas, filhas das ruas... mulheres, que olham para vida, e sua única culpa é, dolorosamente, serem mulher.

Muitas mul-heres.

Sofrem das mesmas condições, doações, ilusões... Marias Margaridas, ferem-se.

Roses, Rosas, alimentam a casa, a nação e tesão do maridão (sem gozar), mas para não ser culpada de procurar outras na contramão. 

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Até quando, Marias? Não aguentamos mais essas agonias, psius, disponibilidades e vida vão.

Resistimos, transgredimos, como putas somos tratadas, em “carne viva” estão nossos braços que se movimentam, e sangram nossos corações.

(Era para ser um conto sobre mulheres, mas é realidade.)

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