segunda-feira, 13 de outubro de 2014

En-frente

en-frente,
nosso sertão tá quente
o sol está renitente
e a primavera é
a-tra-ente.

por aqui só há verão
e inverno [nem sempre],
mas nosso coração é valente
e pra nós a luta
é estação permanente!

os próximos ciclos históricos
nos exigirá disciplina consciente,
vamos em frente companheira
[liberta-se das panelas, seu lugar é com a gente],
não desanime companheiro,
prepararemos as condições para
o ascenso das massas,
nossa tarefa tem que ser incansavelmente.

a conjuntura é cruel,
mas o Projeto Popular é nossa estratégia,
 não podemos tirar de mente!

no nosso horizonte haverá flores
forjadas de sangue e suor do nosso POVO!
mesmo que pareça distante
nossa utopia já se faz presente,
morremos com a suplantação do velho [mundo]
di-ar-i-a-mente
e nascemos com o que nos torna
novos homens e mulheres.

nossa mística é nosso pão,
o capitalismo neoliberal não entende
lutaremos até o fim,
um mundo melhor ficará para nossos
descendentes.

(Jailma, 12/10/14)

sábado, 9 de agosto de 2014

Sábados

            ás vezes, amargos
                        malgrados
            as utopias respiram
                        em meio  as pedras
                        e mãos calejadas.

            ás vezes, festivos
                        inspiram
            a delícia de existir
                        muito embora
o capital-neoliberal persistir,
                        a alegria insiste em resistir.

            ás vezes, solitários
                        para mulheres, homens e crianças
            que esperam () ausente
                        arrancad()s pelos golpes do sistema
                                   em um país que aprisiona a Memória
                                   e ensurdecid()s não ouvem
                        - MÉMORIA, VERDADE, JUSTIÇA!

            ás vezes, de reflexão
                        as desigualdades
da luta de classes doem
            as ofensivas nos massacram
                        os cheiros dos horizontes
                        ficam mais difícil de ser aspirada
                        pelas ventas contaminadas
                        e não sentidos pelos poros...
            para percamos de vista nossas causa.

            ás vezes, agoniantes
                        estuda-se,
                        pensa-se,
                        silencia-se,
                        -------------
                        ou tenta-se
parir qualquer coisa
            que lembre
            poesia.

            sábados...
           
            mas em algum dia de sábado,
                        haveremos de derrubar as muralhas
            tudo passará a ser válido
                        [menos o lucro sob a vida],
            e o povo viverá sem patrão.

(Jailma, 09/08/14)

*Em dias sei lá...

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Companheiro

(ao companheiro Ciço)
que no caminho da liberdade,
não falte flores, poesia e mística...
insurgente, sonhador,
e capaz de estremecer de pé
                                                           com coerência comprometida e ternura companheira.


um novo horizonte é nossa utopia
            e a imersão na dialética capitalista neoliberal,
                        não há de ser capaz de tocar seu brilho nos olhos,                
            desafiado pelas conjunturas e contradições,
forjada entre trincheiras e angústias.

em tempos de desfalecimento de futuro
            a história não livra nem nossos espaços de luta,
                         e nas trilhas da liberdade
nos encontramos na mediação com outro
na busca de algo que possa ser novo.

nossas veias abertas pulsam
            em sangue indígena, quilombola e camponês,
                        na diversidade e pluralidade latina
            que sugere que outras cores sempre hão de brilhar,
onde estiver a bandeira do Projeto Popular.

a História há de triunfar, nós vamos ganhar
            o tintilar da foice e do martelo
            que avança será música da marcha
                        de quem fez e faz caminho
            nas ladeiras, becos, vielas...
haveremos de curtir o carnaval.

e nesta intensa construção
            a teima em SER gente SENDO povo
                       não abramos mão,
            força na vida-luta-caminhada
desejo-te ver sempre lutando
foice e martelo, sempre avançando.

(Jai, 02 de Março de 2014)

quarta-feira, 28 de maio de 2014

me diz
fala-me qualquer coisa
para que desista
de tentar esquecer-te
fala-me
da luta
da vida
da poesia
das farras
de ti...
mas não permita-me
que siga adiante!
assim,
preciso te esquecer.

(Jailma, Maio de 2014)

segunda-feira, 26 de maio de 2014

"... onde não puderes amar, não te demores."

sintomático,
co-ra-ção
latente
incremente
indecente
insolente
inconsolável
em não amar
o existente,
seu demente!
lateja,
indolente
negligente
amas o ausente
[inexistente]
e soca-se em vazio
clemente,
reage
defende-se!

há frio demais aqui dentro...


(Jailma, Maio de 2014.)

(Pintura de Frida Kaklo)

domingo, 25 de maio de 2014

Frio da história

a história há frio...
que congelam corações
naturalizam a dor e a opressão
sem aparente razão.

a história faz um frio...
que construíram a propriedade privada
inventaram um tal de capital
e a mais-valia passa alimentar
o refrigerador imperial.

a história faz frio...
de nos colocar camisas neoliberais
das mais diferentes “marcas”,
[na classe trabalhadora]
“modelos”,
[de implantação de expropriação]
“estilos”,
[de invasão]
e a luta em descenso.

a história faz tanto frio...
congelando a função social da terra,
encastelando tetos,
mantendo o Estado no polo norte,
[as injustiças no polo sul]
e a burguesia entorpecida de sorvete
em suas estruturas.

a história faz sempre tanto frio...
que carecem de dados
sobre as e os que sempre tremeram!
mantendo acesa a utopia
em velas de luto,
no calor do companheirismo,
em poesia que aquece os ouvidos,
na mística dos corações,
nas chamas forjadas na luta
e no sonho da fogueira
da revolução.

(Jailma, 25 de Janeiro de 2014)

* Em dias de reflexão sobre a luta do povo. 

domingo, 11 de maio de 2014

Mãe

Mãe,
não quero-te minha, 
nem de pai,
nem de ninguém!
Desejo-te,
ser em si,
empoderada,
li-vre!
Em marcha sigo
por ti,
pelo que viveste,
pelo que não viveste,
pelo que abdicaste,
pelo que sofreste...
Luto mãe,

não minha,
SUA!

(Jailma, 11/05/2014)

*Em dias que reafirmar a luta é tão necessário, quanto amar!